Caminho do Norte – Santiago de Compostela – Junho de 2024

Era início da manhã, por volta das 7h30, quando embarquei no trem em Saint-Jean-Pied-de-Port com destino a Hendaye. As paisagens que desfilavam pela janela eram deslumbrantes e o trem, extremamente confortável.

Ao chegar, segui a pé até Irún, apenas 3,6 km adiante. Fiquei encantado ao perceber que, nas duas cidades, as pessoas circulavam naturalmente entre o francês e o basco.

Irún marca o início oficial do Caminho do Norte. É uma cidade fascinante, onde o antigo e o moderno se entrelaçam. Grande parte dela foi destruída pelo devastador incêndio de 1936 e precisou ser reconstruída, o que lhe confere uma identidade única.

O albergue Jakobi, em Irún, é, sem dúvida, o melhor de todo o Caminho do Norte. Bem organizado, com infraestrutura moderna e ao mesmo tempo aconchegante, foi o lugar perfeito para recuperar as forças após o dia de viagem.

Após fazer o check-in, saí para explorar a cidade. Almocei uma deliciosa omelete de presunto serrano, regada a uma taça de vinho Mencía, e em seguida fui conhecer o marco inicial do Caminho do Norte. No dia seguinte, enfrentaria os primeiros 26 quilômetros até San Sebastián.

O Caminho do Norte é marcado por constantes subidas e descidas rumo ao mar. Apesar das exigências físicas, cada esforço é recompensado pelas lindíssimas paisagens litorâneas que se revelam ao longo da rota.

A Cantábria, uma das comunidades autônomas mais antigas da Espanha, limita-se a leste com o País Basco, ao sul com Castela e Leão, a oeste com as Astúrias e ao norte com o Golfo da Biscaia. Pelo caminho, cruzamos fontes romanas que datam do século II a.C., testemunhas silenciosas de uma história milenar.

Após 14 dias e 457 km percorridos, cheguei à pequena localidade de La Vega. Ali, deixei o Caminho do Norte e ingressei no Caminho Primitivo.

Foram quatorze dias caminhando por trilhas incríveis, conhecendo pessoas extraordinárias que, para sempre, ficarão guardadas na minha caixinha de melhores lembranças.

Por Peregrino Nino Carneiro